O que estamos fazendo e por quê?

Nos últimos 20 anos temos trabalhado e aprendido dentro de um contexto acadêmico, como estudantes, pesquisadores e professores. Acabamos de fazer a decisão pouco ortodoxa de deixar academia e realizar uma viajem (auto-financiada) de 12 meses para aprender com diversas iniciativas em várias partes do mundo que estãm re-pensando e re-fazendo o ensino superior – particularmente ligados as comunidades indígenas e/ou movimentos sociais. Essas iniciativas, embora emergendo em diferentes contextos ecológicos, culturais, históricos e políticos, se sobrepõem ao propor e atuar  na área do aprender e da liderança práticas que reconectam com a comunidade, a terra ou lugar, com a história e com a pessoa como um todo. Este ambiente de aprendizagem nutre uma qualidade que estamos descrevendo como aprender vívido e através de nossa jornada queremos procurar entender melhor o que isso poderia significar, como se manifesta, como se relaciona com, e contrasta com o conhecimento acadêmico institucional tradicional e as práticas em qual fomos educados, e como essas outras formas de aprendizagem e abordagens ao conhecimento estão afetando indivíduos e comunidades que estamos começando a conhecer.

Por que o aprender vívido é algo importante para aprender?

Nós percebemos o momento histórico atual de ensino superior como cada vez mais colonizado pela mercantilização e burocratização em todas as suas funções e possibilidades, especialmente para a liderança e o aprender. Reconhecemos que nós vemos este aprofundamento da mercantilização e burocratização mais fortemente dentro da América do Norte e contextos europeus, mas que isso também está ocorrendo em graus diferentes ao redor do mundo. Esta perspectiva surgiu através não apenas de nossas próprias experiências estudando e trabalhando dentro de diferentes contextos acadêmicos, mas também através de contato com colegas e alunos com experiências semelhantes. Essas opiniões também estão sendo cada vez mais articulada em publicações acadêmicas e jornalísticas criticando o ensino superior, não só pelas razões acima, mas também pelas as possíveis contribuições do setor de produção de conhecimento para os graves problemas sociais, econômicos e ecológicos que estamos enfrentando hoje.

Instituições de ensino superior estão no ápice da criação e reprodução do conhecimento para a suposta melhoria e sustentabilidade da sociedade. A grande maioria dos indivíduos que entram em setores do governo, na formulação de políticas públicas e do desenvolvimento internacional, nas áreas do direito, saúde, educação, negócios, pesquisa científica e avanço tecnológico são educados dentro das instituições de ensino superior. Estas pessoas trabalham, dentro destes setores variados, para dar respostas aos problemas mais urgentes no mundo atual. Nós, portanto, percebemos o âmbito do ensino e aprendizagem que é fornecido dentro de instituições de ensino superior como tendo um impacto profundo e uma grande responsabilidade na actual crise económica, ecológica e social vividos por todas as criaturas (humanos e não-humanos) ao redor do mundo.

Albert Einstein disse uma vez que nenhum problema pode ser resolvido a partir da mesma linha de pensamento que o criou. O que estamos tentando aprender através de nossa jornada são maneiras diferentes de pensar sobre o aprender ea criação de conhecimento que possam oferecer alternativas a enxergar e atuar nos problemas contemporâneos. Também estamos buscando criar uma maior consciência sobre a importância dessas iniciativas. Fora das principais instituições de ensino, há um número crescente de iniciativas (de ensino superior) do aprender vívido, aliadas à comunidades indígenas e movimentos sociais que declaram “outras” formas de conhecer, aprender e liderar que (muitas vezes bravamente) resistem a mercantilização do conhecimento e a liderança burocrática. Muitas dessas iniciativas de ensino superior têm sido iniciadas por movimentos sociais e/ou indivíduos indígenas e/ou comunidades com propósitos (entre muitos outros) de re-afirmar, re-aprender e re-conectar com diferentes narrativas de histórias, formas de ´alfabetização` locais, experiências coloniais/pós-coloniais, educação crítica, idiomas locais, formas de resistência e ativismo, recuperação cultural e comunitária, e estabelecendo (ou re-conectando) a uma conexão espiritual mais profunda com a terra e seus habitantes.

Como estamos realisando esta viagem?

Apesar de termos sido treinados como pesquisadores sociais, preferimos orientar nosso trabalho de campo como aprender e visitar, em vez de pesquisa social como tipicamente concebido. Nós não estamos indo para lugares diferentes para obter dados de uma forma distânciada quais podemos, então, interpretar e analisar. Em vez disso, nós nos vemos como convidados, como alunos ou aprendízes vívidos, interagindo com os outros em uma série de conversas em torno dos temas destacados acima e ao mesmo tempo, compartilhando o que temos aprendido e estamos aprendendo, construindo relacionamentos com aqueles que nos recebem em seus mundos e lugares. Nossa abordagem a esse aprender envolve curtas visitas “etnográficas” colaborativas a várias iniciativas pelo o mundo, onde passamos tempo conhecendo o lugar – os professores ou facilitadores, alunos e a organização – os seus compromissos, propostas e desafios, a sua história, suas práticas de liderança, currículo e estilos pedagógicos – e, as formas em que essas iniciativas se vinculam ou não com o Estado.

Nossa abordagem é iterativa – novas questões, perspectivas e métodos irão emergir durante as visitas a cada local. Nossa abordagem é também cumulativa – refletindo e compartilhando a nossa experiência de lugares anteriores com os novos lugares vão provocando outras idéias e dinâmicas. Um objectivo essencial é estabelecer relações, conexões e conversas entre esses locais, para que possam também aprender e apoiar uns aos outros.

Neste blog estamos mapeando cada lugar que temos e vamos visitar. Nós também estaremos fornecendo links e recursos contínuamente para cada lugar -, bem como fotos, vídeos e reflexões escritas relacionadas a cada visita. Neste site também estamos incentivando outras pessoas a contribuir com a sua própria escrita sobre esses temas, de modo a desenvolver conversas, bem como de contribuir com recursos (livros, artigos, filmes, sites) que outros poderiam aprender.

O que estamos aspirando com esta viagem?

– Estes meses de visitar e viajar são tanto uma jornada de aprendizagem pessoal quanto interpessoal onde aspiramos a cultivar modos de ser, aprender, ouvir e comunicar com os outros e com o mundo que são mais autêntico e permite nos envolver mais profundamente e compreender os locais que visitamos.

– Nós aspiramos a comunicar nossas experiências de lugares e de nossas interações com as pessoas de uma forma que prioriza suas vozes e experiências e tenta representar essas para um público diversificado que inclui nossos colegas em universidades, estudantes e aqueles fora de universidades. Faremos isso através deste blog, através de um livro de nossa jornada, através de documentários curtos de cada local e um longo documentário combinando nossas visitas.

– Nós aspiramos a criar pontes entre os diferentes lugares que visitamos, e entre nossos amigos e colegas que queiram participar, incentivando e aproveitando mais o potencial para a troca entre nossas diversas comunidades.