Posted by on nov 6, 2012 in all posts, Canada, Red Crow Community College | 1 comment

Este é um post difícil de escrever, já que nenhum de nós teve experiência com este tipo de ensino e as formas de opressão cultural que ele traz, mas, também, porque é sempre um desafio fielmente dar conta de experiências e histórias que são contadas. No entanto, dado que muitas pessoas nos falaram sobre escolas residenciais, não só aqui em Alberta com os Blackfoot mas em toda a nossa viagem pelo Canadá, sentimos que tínhamos que escrever sobre isso. A Escolaridade residencial é uma corrente subterrânea, venenosa para muitos, que tem permeado as experiências formativas de muitos povos das Primeiras Nações, não só no Canadá, mas em muitas sociedades coloniais onde o governo tinha uma política de assimilação.

St. Mary’s Residential School Dormitory – photo from Glenbow Museum Archives

Como ouvimos a partir de um número de pessoas com quem conversamos, escolas residenciais perpetuaram um trauma ainda presente em comunidades das Primeiras Nações uma vez que crianças foram forçadamente retiradas de suas famílias e educadas nos modos de pensar, de acreditar, de ser e relacionar dos colonos brancos. As escolas foram administradas por diferentes denominações cristãs e a língua dos Blackfoot foi proibida. Durante o mesmo período, o governo proibiu os Blackfoot de praticar suas cerimônias, danças e de deixar a reserva sem autorização.

 

As primeiras escolas residenciais foram abertas na década de 1840, a última fechado as suas portas em 1996. Na escola, as crianças tinham que cortar o cabelo, falar apenas em Inglês e aprender uma história que não era a sua. Ao mesmo tempo, eles eram feitos sentir que as maneiras de seus avós eram inferiores às dos colonos. Eles também foram obrigados a rezar e aprender os ensinamentos da Bíblia. Só recentemente o governo e a igreja ofereceram um pedido público de desculpas por essas políticas e abusos e nos ficamos surpresos ao encontrar comissões de “verdade e reconciliação” para escolas residenciais quando chegamos no Canadá. Também durante  nossa estadia uma série de histórias na imprensa dirigia queixas contra ex-professores de algumas dessas escolas os acusando ​​de abusar das crianças.

 

Ouvimos muitas histórias sobre os efeitos adversos da perda da família, da cultura, da comunidade e de um modo de vida com suas complexa rede de práticas sociais, ecológicas, espirituais e econômicas para aqueles que frequentaram escolas residenciais. A perda de orientação no mundo que a destruição desta rede foi atribuída à dificuldade encontrada em comunidades de Primeiras Nações, violência, alcoolismo e abuso, suicídio, perda de confiança e assim por diante. Uma parte fundamental do presente, como ouvimos, girava em torno de uma crise de identidade, de ter uma cultura destruída e deslitimizada, de estar em um estado de limbo de não saber realmente quem você é.

Education panel from Blackfoot exhibition at the Glenbow musuem, Calgary.

 

Contemporanemente, nós também aprendemos sobre quanto esforço tem sido dirigido a cura e rejuvenecimento cultural entre as comunidades das Primeiras Nações em torno do impacto dessas politicas em indivíduos, famílias e comunidades. O que tem se passado desde a década de 1960 é o despertar da espiritualidade, cerimônias e sociedades das Primeiras Nações, no campo da arte e educação. Junto desse revigoramento cultural também tem sido visto uma afirmação mais forte em torno de disputas de terra e acordos com o governo canadense (ver nosso post sobre Nigsa’a do norte de British Columbia).

Community Colleges Panel, Blackfoot Exhibition, Glenbow museum, Calgary.

A Faculdade Comunitária Red Crow é parte dessa onda de despertar cultural enquanto grupos das Primeiras Nações buscam maior controle sobre sua própria educação. Os Estudos Kainai são, no nosso entendimento, a primeira e mais bem sucedida iniciativa num nível de educação pós-secundária que está reconectando com o jeito de ser, saber e fazer dos Blackfoot, deliberadamente destruído com as escolaridade residencial. O fato da faculdade de Red Crown estar alojada onde costumava ser a escola residencial de St Mary faz da sua vitória ainda mais palpável.

St Mary’s Residential School, Blood Reserve, photo from Royal Alberta museum exhibition, Edmonton